Blog · Dr. Gabriel Marzola · CROSP 138.249
Dente do siso, quando tirar e quando dá para só acompanhar
Dente do siso, quando tirar? A resposta depende menos da dor do dia e mais da posição do dente e do que ele está fazendo com a gengiva e com o dente ao lado. Seguem os sinais que indicam a cirurgia, os casos em que o siso pode ficar e o que esperar da recuperação.
Resposta rápida
O dente do siso deve ser tirado quando causa problema, como inflamação da gengiva que volta, cárie sem tratamento possível, cisto ou dano ao dente vizinho. Siso sem dor e sem doença pode ficar, com acompanhamento periódico. A radiografia mostra a posição e a relação com o nervo, e a decisão é tomada com ela.
Neste artigo
- O siso é o terceiro molar e costuma nascer no fim da adolescência ou no começo dos vinte anos.
- Inflamação que volta, cárie sem tratamento possível, cisto e reabsorção do dente vizinho indicam a extração.
- Uma primeira inflamação leve, sozinha, costuma ser tratada sem cirurgia.
- Siso sem sintoma e sem doença pode ser acompanhado, e a evidência sobre tirá-lo por prevenção é insuficiente.
- O inchaço é maior nos três primeiros dias, e as primeiras 24 horas pedem cuidado com o coágulo.
Índice do artigo (10 tópicos)
- Quando tirar o dente do siso?
- O que é o siso e por que ele costuma não ter espaço?
- Siso nascendo, quantos dias dura a dor?
- Uma inflamação só já é motivo para tirar o siso?
- Siso sem dor precisa ser tirado?
- Existe idade certa para a cirurgia do siso?
- Como é a cirurgia do siso?
- Quais são os riscos da cirurgia do siso?
- Como é a recuperação da cirurgia do siso, dia a dia?
- Como é a avaliação do siso no Instituto Marzola?
Quando tirar o dente do siso?
O siso precisa sair quando está causando um problema que não se resolve de outro jeito. As indicações mais aceitas são a inflamação da gengiva ao redor do dente que se repete, a cárie que não pode ser restaurada, a infecção, o cisto e o desgaste da raiz do dente vizinho.
O NICE, órgão que orienta o sistema público de saúde da Inglaterra, recomenda limitar a remoção cirúrgica dos sisos inclusos aos pacientes com evidência de doença. A lista que ele usa inclui cárie sem restauração possível, infecção, abscesso, reabsorção do dente ou do vizinho, fratura e doença do folículo, como cisto ou tumor.
Quais sinais indicam que o siso precisa sair?
O sinal mais comum é a dor no fundo da boca que vai e volta. Ela costuma vir da gengiva que cobre parte do dente e inflama, com inchaço, gosto ruim e dificuldade para abrir a boca. Uma revisão de 2021 da Universidade de Valparaíso, no Chile, reuniu 18 estudos e encontrou essa inflamação, a pericoronarite, como a indicação mais frequente para tirar o siso.
O que a radiografia mostra antes de doer?
Alguns problemas aparecem no exame antes de qualquer sintoma. Na mesma revisão chilena, depois da pericoronarite vêm a cárie no colo do segundo molar inferior, a reabsorção da raiz do dente vizinho e os cistos. Um siso inclinado, apoiado no dente da frente, cria um canto onde a escova não chega, e a cárie pode começar no dente vizinho.
O que é o siso e por que ele costuma não ter espaço?
O siso é o terceiro molar, o último dente a nascer. A maioria das pessoas tem quatro, um em cada canto da boca. Eles costumam aparecer no fim da adolescência ou no começo dos vinte anos, quando os outros 28 dentes permanentes já estão no lugar.
Por isso falta espaço com frequência. O siso pode ficar preso no osso, nascer pela metade ou nascer inclinado. Cada posição traz um tipo de risco, e nem todas exigem cirurgia.
O que significa siso incluso, semi-incluso e inclinado?
Incluso é o siso que não rompeu a gengiva e ficou dentro do osso. Semi-incluso é o que rompeu só em parte e continua coberto por um capuz de gengiva, que é onde a comida e a placa se acumulam. Inclinado é o que nasceu torto, deitado em direção ao dente da frente. A radiografia panorâmica mostra os quatro de uma vez e a relação de cada um com o nervo que passa pela mandíbula.
Siso nascendo, quantos dias dura a dor?
Não existe um número de dias que valha para todo mundo, e as fontes que consultamos não fixam esse prazo. Desconfie de quem dá uma contagem exata sem ter visto a radiografia, porque a posição do dente muda tudo.
O que dá para observar é o padrão. Um incômodo leve, que melhora em poucos dias com higiene caprichada na região, pode ser acompanhado. Dor que volta, inchaço, gosto ruim e dificuldade para abrir a boca apontam para inflamação da gengiva que cobre o dente, e isso pede exame.
O que é pericoronarite?
É a infecção da gengiva que envolve um dente parcialmente nascido. A placa e os restos de comida ficam presos embaixo do capuz de gengiva, e a região inflama. É o quadro mais típico do siso que está nascendo sem espaço.
Quando a dor do siso pede atendimento no mesmo dia?
Inchaço que se espalha para a bochecha ou para o pescoço, febre, dificuldade para engolir ou para abrir a boca são sinais de que a infecção pode estar indo além da gengiva. Nesses casos, a consulta não deve esperar a data mais conveniente.
Uma inflamação só já é motivo para tirar o siso?
Nem sempre. A orientação do NICE diz que um primeiro episódio de pericoronarite, a não ser que seja particularmente grave, não deve ser considerado indicação de cirurgia. O segundo episódio, ou os seguintes, passam a ser considerados indicação adequada.
Na prática, a primeira crise é tratada com limpeza da região, orientação de higiene e, quando necessário, medicação. Se ela volta, a conversa sobre a extração começa. A cirurgia pode ser marcada depois que a inflamação cede, em uma data escolhida, em vez de acontecer no meio da crise.
Siso sem dor precisa ser tirado?
Siso que não dói e não mostra doença na radiografia pode ficar. Segundo o NHS inform, serviço público de informação em saúde da Escócia, sisos inclusos que não causam problema geralmente não precisam ser removidos, porque não há benefício comprovado e a cirurgia tem risco de complicações.
O que a pesquisa diz sobre tirar o siso por prevenção?
Uma revisão Cochrane de 2020 concluiu que a evidência disponível é insuficiente para dizer se sisos inclusos, sem sintoma e sem doença, devem ser removidos ou mantidos. A mesma revisão recomenda que os valores do paciente e a experiência clínica guiem uma decisão compartilhada, e que quem mantém o siso faça avaliação em intervalos regulares.
Isso quer dizer que a decisão sobre um siso saudável não é automática. Pesam a posição do dente, a idade, a facilidade de higiene e o que o paciente prefere depois de entender os riscos das duas escolhas.
Como é o acompanhamento de um siso que fica?
O acompanhamento é feito nas consultas de rotina, com radiografia quando necessário. Se a posição mudar, se aparecer cárie no siso ou no vizinho ou se a gengiva começar a inflamar, a conversa sobre a extração volta. No Instituto Marzola, quando não há indicação de cirurgia, isso é dito na avaliação.
Existe idade certa para a cirurgia do siso?
Não existe uma idade marcada para tirar, porque a indicação depende do problema que o dente causa. O que a literatura mostra é que a idade pesa no risco. A revisão chilena de 2021 cita estudos em que a chance de complicação depois da cirurgia pode ser até 1,5 vez maior em pacientes mais velhos do que em quem tem menos de 25 anos.
A explicação apresentada pelos autores é que as raízes continuam se desenvolvendo com os anos e o ligamento que prende o dente ao osso fica mais fino, o que torna a extração mais trabalhosa. Para quem já tem indicação clara, isso favorece não adiar sem motivo. Para quem tem um siso saudável, não é razão suficiente para operar.
Adolescentes costumam chegar à consulta levados pelos pais, às vezes por indicação do ortodontista. Nesses casos a radiografia panorâmica mostra se há espaço para o siso nascer e em que direção ele está crescendo, e a decisão é conversada com a família, com os mesmos critérios que valem para um adulto.
Como é a cirurgia do siso?
A radiografia ou a tomografia mostram a posição do dente e a relação com o nervo da mandíbula e com o seio maxilar. Esse planejamento acontece antes de marcar a cirurgia, e o paciente sabe se o caso é simples ou mais trabalhoso antes de entrar.
Anestesia local, sedação ou anestesia geral?
No consultório, a cirurgia é feita com anestesia local. O que se sente é pressão, sem dor. As normas do Conselho Federal de Odontologia permitem em consultório apenas cirurgias que possam ser feitas sob anestesia local, e reservam a anestesia geral ao ambiente hospitalar. A sedação pode ser indicada em casos mais extensos ou para quem tem muita ansiedade com dentista.
Quanto tempo leva a cirurgia do siso?
Cirurgias simples costumam ocupar de 30 minutos a 1 hora de cadeira. Sisos inclusos exigem mais tempo, porque às vezes é preciso abrir a gengiva e dividir o dente em partes para retirá-lo, e têm pós-operatório mais intenso.
Dá para tirar mais de um siso na mesma cirurgia?
Depende da posição de cada dente e do que a radiografia mostra. Há casos em que se extraem os dois do mesmo lado de uma vez, para que o paciente mastigue pelo outro lado na recuperação, e casos em que só um precisa sair. A sequência, e quantas cirurgias serão, fica definida no plano antes da primeira.
Quem faz a cirurgia do siso no Instituto Marzola?
Quem opera é o Dr. Gabriel Marzola, cirurgião-dentista com especialização em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, CROSP 138.249. Pelas normas do Conselho Federal de Odontologia, essa é a especialidade dedicada ao diagnóstico e ao tratamento cirúrgico das doenças e anomalias do aparelho mastigatório. As mesmas normas incluem nessa área o tratamento cirúrgico de cistos e a cirurgia com finalidade ortodôntica e protética.
Quais são os riscos da cirurgia do siso?
Toda cirurgia tem risco, e o do siso é conhecido. Infecção e cicatrização lenta são mais prováveis em quem fuma durante a recuperação. Os dois riscos que mais preocupam os pacientes são a alveolite e a lesão do nervo.
O que é alveolite e quando ela aparece?
Alveolite é a dor que surge quando o coágulo não se forma no lugar do dente ou se solta antes da hora. Ela costuma aparecer de 3 a 5 dias depois da cirurgia, como uma dor surda que não melhora, às vezes com mau cheiro ou gosto ruim. É mais provável quando as orientações do pós-operatório não são seguidas, e o tratamento é limpar o local e aplicar um curativo com medicação.
A cirurgia do siso pode deixar o lábio dormente?
Pode, e é raro. A revisão chilena reúne estudos que relatam lesão do nervo alveolar inferior entre 0,5% e 5% das extrações do siso de baixo. A dormência ou o formigamento na língua, no lábio inferior ou no queixo costuma ser temporária, de semanas a meses, e pode ser permanente quando a lesão é grave. É por isso que a relação do dente com o nervo é estudada no exame antes da cirurgia.
Como é a recuperação da cirurgia do siso, dia a dia?
O inchaço e o desconforto costumam ser maiores nos três primeiros dias e podem durar até duas semanas. A mandíbula pode ficar rígida por 7 a 10 dias. A recuperação, na maior parte dos casos, se completa entre 3 e 10 dias, conforme a complexidade.
O que fazer nas primeiras 24 horas?
Nas primeiras 24 horas, evite bochechar, cuspir, tomar bebida quente ou fazer qualquer coisa que possa soltar o coágulo, porque ele protege a cicatrização. Gelo no rosto, repouso, alimentação fria e macia e a medicação prescrita completam o cuidado. Fumar e beber álcool ficam de fora.
E do segundo dia em diante?
Depois das primeiras 24 horas, o bochecho suave com o antisséptico indicado ajuda a manter a região limpa. A escovação continua, com cuidado no local da cirurgia. Exercício intenso fica suspenso por alguns dias. Os pontos, quando são absorvíveis, costumam se dissolver em 7 a 10 dias. O paciente sai da clínica com as orientações por escrito, e muitos marcam a cirurgia para uma quinta ou sexta-feira.
Como é a avaliação do siso no Instituto Marzola?
A avaliação é uma consulta de cerca de uma hora e não é cobrada. Ela começa pela conversa sobre os sintomas e pela radiografia. O Dr. Gabriel mostra a posição de cada siso, explica se há indicação de extração e, quando há, apresenta o plano com o pós-operatório esperado e os valores por escrito. Quando não há, isso também é dito.
Se houver uma radiografia panorâmica recente, vale levar. Também ajuda levar a lista de remédios em uso e contar sobre problemas de saúde, porque isso entra na decisão sobre anestesia e sedação.
O Instituto Marzola fica na Rua da Paz, 1601, na Chácara Santo Antônio, zona sul de São Paulo, e atende de segunda a sexta, das 10h às 20h. O agendamento é pelo WhatsApp, e quem está com dor pode descrever o que sente na mensagem.
Glossário
- Terceiro molar
- Nome técnico do siso, o último dente permanente a nascer em cada canto da boca.
- Siso incluso
- Siso que não conseguiu romper a gengiva e permanece dentro do osso, total ou parcialmente.
- Pericoronarite
- Infecção da gengiva que cobre um dente parcialmente nascido, típica do siso sem espaço.
- Alveolite
- Dor e inflamação no local da extração quando o coágulo não se forma ou se solta antes da cicatrização.
- Nervo alveolar inferior
- Nervo que passa dentro da mandíbula e dá sensibilidade ao lábio inferior, ao queixo e aos dentes de baixo.
O que serve ao seu caso, o Dr. Gabriel responde na avaliação, que não é cobrada e leva cerca de uma hora.
Agendar avaliação pelo WhatsApp Conhecer a cirurgia oralReferências
- NICE. Guidance on the extraction of wisdom teeth (TA1), recomendações
- NHS inform. Wisdom tooth removal
- Ghaeminia H. et al. Surgical removal versus retention for the management of asymptomatic disease-free impacted wisdom teeth. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2020
- Baeza S. et al. Caracterización de exodoncia de terceros molares. Revista Científica Odontológica, 2021
- Conselho Federal de Odontologia. Consolidação das Normas para Procedimentos nos Conselhos de Odontologia (Resolução CFO-63/2005), arts. 41, 42, 44 e 45
Dúvidas comuns
Perguntas sobre o tema
Com que idade o siso costuma nascer?
Em geral no fim da adolescência ou no começo dos vinte anos, quando os outros dentes permanentes já estão no lugar.
Posso tirar o siso com a gengiva inflamada?
Em geral a inflamação é tratada primeiro, e a cirurgia é marcada depois que ela cede. A decisão depende do exame e da intensidade da crise.
Como evitar a alveolite depois de tirar o siso?
Nas primeiras 24 horas, não bocheche, não cuspa, não tome bebida quente e não fume, para não soltar o coágulo. Seguir as orientações por escrito reduz o risco.
Quando posso voltar a fazer exercício depois da cirurgia do siso?
Exercício intenso fica suspenso por alguns dias. O prazo exato depende da extensão da cirurgia e é passado nas orientações.
Leia também
Implante dentário, quanto tempo demora do começo ao dente fixo
Implante dentário, quanto tempo demora? Etapas, osseointegração, enxerto e carga imediata explicados por cirurgião-dentista em São Paulo. Agende sua avaliação.
27 de agosto de 2026
Ler o conteúdoDentista pode fazer harmonização facial? O que vale em 2026
Dentista pode fazer harmonização facial? A decisão do TRF1, a posição do CFO e a formação do dentista na face. Tire dúvidas na avaliação em São Paulo.
6 de setembro de 2026
Ler o conteúdo