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Blog · Dr. Gabriel Marzola · CROSP 138.249

Limpeza dental de quanto em quanto tempo e quem volta antes

Limpeza dental de quanto em quanto tempo? Seis meses é a resposta mais conhecida, mas as recomendações atuais tratam o intervalo como algo individual, que vai de poucos meses a dois anos conforme o risco de cada pessoa. Este artigo explica de onde vem essa faixa, o que acontece na consulta e quem precisa voltar antes.

Resposta rápida

A limpeza dental não tem um prazo único. Seis meses é a referência mais usada, mas o serviço público de saúde inglês trabalha com intervalos de 3 meses a 2 anos, conforme o risco. Quem fuma, tem diabetes, gengiva que sangra ou histórico de doença na gengiva volta antes. O dentista define o seu intervalo no exame.

Neste artigo

  • O intervalo entre consultas pode ir de 3 meses a 2 anos em adultos, conforme a saúde da boca e o risco de problemas.
  • Um estudo com 2.372 adultos no Reino Unido não encontrou benefício da consulta fixa a cada 6 meses em relação ao intervalo definido pelo risco.
  • Tártaro é placa endurecida e só sai com limpeza feita por dentista ou profissional de higiene bucal.
  • Gengiva que sangra ao escovar é sinal de gengivite, que no começo costuma regredir com higiene diária e cuidado profissional.
  • Fumo, diabetes, gravidez e histórico de doença na gengiva pedem retornos mais próximos.

Limpeza dental, de quanto em quanto tempo fazer?

Para a maioria dos adultos, o intervalo entre uma consulta e outra fica entre 3 meses e 2 anos. É isso que diz o NHS, o serviço público de saúde da Inglaterra, que deixa ao dentista a recomendação da data seguinte ao fim de cada consulta. Quanto menor o risco de problemas, maior pode ser o intervalo. Para menores de 18 anos, o NHS indica consultas com no máximo 1 ano de distância.

Seis meses continua sendo a referência mais usada no consultório, e muita gente se encaixa nela. A diferença é que o prazo passou a ser uma decisão tomada caso a caso, e não uma regra igual para todos.

O que a pesquisa mostrou sobre o intervalo de seis meses?

O estudo INTERVAL acompanhou 2.372 adultos atendidos em consultórios do Reino Unido durante 4 anos. Eles foram divididos em três grupos, com consulta fixa a cada 6 meses, intervalo definido pelo risco de cada um e, para quem tinha risco baixo, consulta a cada 2 anos. Segundo o resumo do NIHR, o instituto britânico de pesquisa em saúde, não houve diferença importante entre os grupos em sangramento da gengiva, cárie ou qualidade de vida ligada à saúde bucal.

O que esse resultado não permite concluir?

O estudo incluiu só adultos, recrutados em consultórios, e os pesquisadores afirmam que é preciso mais pesquisa antes de mudar o intervalo de crianças e adolescentes. Ele também não avaliou o rastreamento do câncer de boca, que costuma não dar sintoma no começo e é uma das coisas que o exame periódico procura.

O que o estudo mostra é que os 30% de pessoas com baixo risco de doença bucal poderiam ser vistos a cada dois anos sem prejuízo para a saúde da boca, e que quem tem risco maior precisa de um intervalo mais curto. Ele não autoriza ninguém a sumir do consultório por conta própria. O risco é avaliado no exame, e é o exame que define o prazo.

Há também um dado curioso. Os participantes valorizavam o check-up a cada seis meses e diziam estar dispostos a pagar por ele. Quem prefere manter esse ritmo pode manter, desde que o intervalo não fique mais longo do que o risco permite.

Check-up e limpeza são a mesma coisa?

Costumam acontecer na mesma consulta, mas são duas etapas. O check-up é o exame dos dentes, da gengiva e do restante da boca. A limpeza profissional é a remoção da placa, do tártaro, dos resíduos e das manchas da superfície dos dentes, e na literatura aparece como raspagem e polimento.

O exame acontece em toda consulta. A necessidade e a extensão da limpeza dependem do que o exame encontra naquele dia.

Limpeza de rotina protege a gengiva de quem já está saudável?

Uma revisão Cochrane de 2018 comparou a limpeza agendada a cada 6 ou 12 meses com a limpeza feita só quando o profissional julgava necessário, em adultos sem doença grave da gengiva. Em dois a três anos de acompanhamento, a limpeza de rotina fez pouca ou nenhuma diferença na gengivite e na profundidade das bolsas da gengiva, e reduziu um pouco o tártaro. Os participantes relataram mais sensação de dentes limpos.

Na prática, isso reforça o papel do exame. Quem tem gengiva saudável e pouco tártaro pode precisar de pouca coisa além da avaliação e da orientação. Quem acumula tártaro ou tem gengiva inflamada precisa da limpeza e, às vezes, de mais de uma sessão.

O que é feito na consulta de limpeza?

A consulta começa pela conversa. O NHS descreve o check-up como o momento em que o dentista examina dentes, gengiva e boca e pergunta sobre a saúde geral e sobre qualquer problema desde a última visita. Remédios em uso, gravidez e doenças como o diabetes entram nessa conversa porque mudam o intervalo.

O exame

O dentista olha cada dente, a gengiva ao redor, a língua, as bochechas e o céu da boca. Na gengiva, ele observa cor, inchaço e sangramento, e mede a profundidade do espaço entre a gengiva e o dente. As radiografias entram quando é preciso ver o que o olho não alcança, como cárie entre os dentes e o osso que sustenta cada um.

Raspagem e polimento

A raspagem remove o tártaro, acima e abaixo da linha da gengiva. O polimento tira a placa que sobrou e as manchas superficiais. Quando há muita inflamação ou muito tártaro, a limpeza pode ser dividida em sessões.

A orientação de higiene

O fim da consulta é a parte que mais rende no intervalo. O NHS inclui no check-up a orientação sobre alimentação, fumo, álcool e forma de limpar os dentes. É o momento de mostrar onde a escova não está chegando e de acertar o uso do fio dental ou da escova entre os dentes.

O que é tártaro e por que a escova não tira?

A placa é uma película de bactérias que se forma sobre os dentes todos os dias. Segundo o NIDCR, o instituto de pesquisa odontológica do governo dos Estados Unidos, a placa que não é removida diariamente pode endurecer e virar tártaro, e só uma limpeza profissional feita por dentista ou profissional de higiene bucal consegue removê-lo.

A Cleveland Clinic, hospital universitário dos Estados Unidos, lembra que o tártaro se forma acima e abaixo da linha da gengiva, e que, sem remoção, ele pode levar à gengivite e à retração da gengiva.

Por que não raspar o tártaro em casa?

A mesma instituição alerta que tentar remover o tártaro sem dentista pode danificar os dentes. Parte dele fica abaixo da linha da gengiva, onde não dá para ver nem alcançar com segurança em casa, e o que já endureceu não sai com escova nem fio.

O que a gengivite tem a ver com o intervalo?

Gengivite é a inflamação da gengiva causada pelo acúmulo de placa. O NHS lista como sinais a gengiva que sangra ao escovar, ao passar o fio ou ao comer algo duro, e a gengiva inchada, vermelha e dolorida. Quem nota esses sinais não deve esperar a data marcada para a próxima consulta.

A boa notícia está no começo do quadro. Segundo o NIDCR, a doença da gengiva em fase inicial muitas vezes pode ser revertida com escovação e fio dental diários, e a limpeza profissional tira o tártaro que a escova não alcança.

Gengiva que sangra é motivo para escovar menos?

É o contrário. O sangramento é sinal de inflamação causada pela placa, e parar de escovar a região deixa mais placa no lugar. A escovação e o fio devem continuar, com cuidado, enquanto a consulta não acontece.

Quando a gengivite vira periodontite?

Quando a inflamação avança para os tecidos que prendem o dente no lugar. O NHS cita como sinais da fase avançada o mau hálito, o gosto ruim na boca, a gengiva que se retrai e os dentes que ficam moles ou caem. Nessa fase, a limpeza comum não basta, e o NIDCR descreve a raspagem e o alisamento radicular, uma limpeza profunda abaixo da gengiva, como parte do tratamento.

Quem precisa voltar antes dos seis meses?

O intervalo encurta quando o risco de doença na gengiva ou de cárie é maior. As situações abaixo aparecem nas fontes que consultamos e costumam pedir retornos mais próximos, com o prazo exato definido no exame.

Quem fuma

O NIDCR aponta o fumo e o uso de outros produtos de tabaco como o fator de risco mais importante para a doença da gengiva.

Quem tem diabetes, está grávida ou passa por mudança hormonal

O diabetes está entre os fatores de risco listados pelo NIDCR, que também associa as mudanças hormonais em meninas e mulheres à doença da gengiva. O NHS recomenda check-ups regulares com dentista e profissional de higiene especialmente para quem está grávida ou tem diabetes tipo 2. Alguns remédios e a genética também entram na lista do NIDCR.

Quem usa aparelho ou já tratou doença na gengiva

O aparelho fixo dificulta a escovação ao redor das peças coladas nos dentes. Por isso, no consultório, quem usa aparelho ou tem histórico de cárie ou de gengivite costuma receber retornos mais próximos. Nos dois casos, o intervalo é revisto a cada consulta.

Quem pode esperar mais tempo entre as consultas?

Segundo o NHS, quanto menor o risco de problemas dentários, mais tempo a pessoa pode esperar até o próximo check-up. Em geral é quem não teve cárie nova nos últimos anos, tem gengiva que não sangra, forma pouco tártaro, não fuma e mantém a escovação e o fio em dia.

Para esse grupo, o intervalo pode passar de seis meses para um ano ou mais, a critério do dentista. Vale lembrar que o intervalo não é fixo para sempre. Uma gravidez, um diagnóstico de diabetes, o começo de um tratamento ortodôntico ou uma gengiva que passou a sangrar mudam a conta.

O que fazer em casa entre uma consulta e outra?

O intervalo mais longo só funciona com o cuidado diário em ordem. As orientações do NHS para prevenir a doença da gengiva são simples e valem para quase todo mundo.

Escovar os dentes pelo menos duas vezes por dia com creme dental com flúor, cuspir o excesso no fim e não enxaguar a boca com água logo depois. Limpar entre os dentes todos os dias, com fio dental ou escova interdental. Não usar enxaguante bucal logo depois de escovar, e não fumar.

Na consulta, o dentista mostra qual escova interdental serve para os espaços entre os seus dentes e onde a escovação está falhando. Se a gengiva começar a sangrar no intervalo, a consulta vem antes da data marcada.

Como é a consulta de limpeza no Instituto Marzola?

A primeira consulta com o clínico geral começa pelo exame completo de dentes, gengiva e tecidos da boca, com radiografias quando necessário, e costuma levar de 30 minutos a 1 hora. Ao final, o paciente recebe o mapa do que existe, com a ordem sugerida de tratamento e os valores, e sai sabendo o intervalo definido para o seu caso.

Quem está há anos sem ir ao dentista é recebido sem sermão. Esse retorno é um dos motivos mais comuns de primeira consulta. Quando o exame encontra algo que pede canal, cirurgia, implante ou prótese, o atendimento continua no mesmo endereço, com o histórico já registrado.

O Instituto Marzola fica na Rua da Paz, 1601, na Chácara Santo Antônio, zona sul de São Paulo, e atende de segunda a sexta, das 10h às 20h. O agendamento é pelo WhatsApp.

Glossário

Placa bacteriana
Película de bactérias que se forma sobre os dentes todos os dias e sai com escovação e fio dental.
Tártaro
Placa endurecida sobre o dente, acima ou abaixo da gengiva, que só sai com limpeza profissional.
Gengivite
Inflamação da gengiva causada pelo acúmulo de placa, com sangramento, inchaço e vermelhidão.
Periodontite
Fase avançada da doença da gengiva, em que a inflamação atinge os tecidos que prendem o dente.
Raspagem e polimento
Limpeza profissional que remove tártaro, placa e manchas superficiais da superfície dos dentes.

Referências

  1. NHS. Dental check-ups
  2. NIHR Evidence. Dental check-ups every six months are unnecessary for people at low risk of oral disease (23/04/2021)
  3. Cochrane. Routine scale and polish for periodontal health in adults (Lamont T et al., 2018), resumo
  4. NIDCR (National Institutes of Health). Gum (Periodontal) Disease
  5. NHS. Gum disease
  6. Cleveland Clinic. Tartar (Dental Calculus)

Quer saber se é o seu caso? A avaliação com o Dr. Gabriel não é cobrada e leva cerca de uma hora.

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Dúvidas comuns

Perguntas sobre o tema

Dá para tirar o tártaro em casa?

Não. O tártaro é placa endurecida, não sai com escova nem fio, e tentar raspar em casa pode danificar os dentes.

Quem tem diabetes precisa fazer limpeza mais vezes?

Em geral precisa de acompanhamento mais próximo, porque o diabetes é fator de risco para doença da gengiva. O intervalo é definido no exame.

Grávida pode fazer a consulta de limpeza?

Pode, e a gestação é um dos períodos em que o serviço de saúde inglês recomenda check-ups regulares. Informe a semana de gravidez ao agendar.

Se a limpeza deixa os dentes lisos, por que o tártaro volta?

Porque a placa se forma todos os dias e endurece quando não é removida. A escovação e o fio diários controlam a placa, e a limpeza profissional retira o que endureceu.

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