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Blog · Dr. Gabriel Marzola · CROSP 138.249

Tratamento de canal dói? Anestesia, sessões e a dor depois

Tratamento de canal dói? Com anestesia local, o procedimento costuma ser tranquilo, e a dor forte que leva a pessoa até a cadeira é justamente a que o canal remove. Este artigo explica como é a anestesia, o que se sente nos dias seguintes, por que a coroa importa e quando a extração entra na conversa.

Resposta rápida

O tratamento de canal, feito com anestesia local, costuma causar pouco desconforto durante o procedimento. A dor forte vem antes, da polpa inflamada ou infectada. Numa revisão de 72 estudos, a dor atingia 81% dos pacientes antes do tratamento e 11% uma semana depois. Dor que aumenta ou inchaço depois do canal pedem contato com o dentista.

Neste artigo

  • Com anestesia local, o tratamento de canal costuma causar pouco desconforto durante o procedimento.
  • A dor forte costuma vir antes do tratamento, da polpa inflamada ou infectada.
  • Numa revisão de 72 estudos, a dor caiu de 81% dos pacientes antes para 40% em um dia e 11% em uma semana.
  • Canal em uma sessão ou em mais de uma tem eficácia equivalente, segundo revisão Cochrane de 2022.
  • O dente tratado precisa de restauração ou coroa, conforme quanto dele sobrou.
  • A extração é alternativa e deixa um espaço que costuma pedir implante ou prótese.

Tratamento de canal dói durante o procedimento?

Com anestesia local, o procedimento costuma causar pouco desconforto. O NHS, serviço público de saúde da Inglaterra, descreve que o paciente recebe anestesia local antes do tratamento, fica acordado e não sente dor.

Uma revisão sistemática de 72 estudos, publicada em 2011 no Journal of Endodontics por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles, encontrou poucos dados sobre a dor durante o atendimento. Nos três estudos que usaram escala visual de 0 a 100, a intensidade registrada durante o tratamento foi muito baixa, de 4, 6 e 8 pontos.

Como a anestesia é aplicada e conferida?

A anestesia é aplicada na região do dente, e o tratamento só começa depois que ela é conferida. Se o paciente ainda sente o dente, a aplicação é reforçada antes de seguir. Nenhuma etapa começa com o dente sensível.

Por que às vezes é preciso reforçar a anestesia?

Reforçar a anestesia é comum no canal. Na revisão de 2011, a anestesia complementar apareceu com frequência, e a média dos estudos que mediram isso ficou em 60%. Precisar de uma segunda aplicação faz parte do atendimento, e o paciente deve avisar sempre que sentir alguma coisa.

O que se sente na cadeira?

Com o dente anestesiado, o desconforto costuma ser parecido com o de uma restauração. A dormência no lábio e na bochecha continua por algumas horas depois da sessão, e por isso vale esperar antes de comer.

Quem tem muita ansiedade com dentista pode dizer isso na avaliação. Saber antes o que vai acontecer em cada etapa, e quanto tempo ela leva, costuma tornar a sessão mais tranquila.

Por que o tratamento de canal tem fama de doer?

Porque a dor que leva ao canal costuma ser forte, e ela fica guardada na memória junto com o tratamento. Na revisão de 2011, a média de pacientes com dor antes do canal foi de 81%. Depois do tratamento, a proporção caiu para 40% em 24 horas e para 11% em uma semana.

Os autores também citam um estudo em que só 17% das pessoas que já tinham feito canal o apontaram como a experiência mais dolorosa que tiveram no dentista.

Os próprios autores avisam que esses números podem estar superestimados, porque as escalas usadas registram qualquer desconforto mínimo como dor. Ainda assim, em todos os estudos que compararam antes e depois, a dor diminuiu após o tratamento.

A técnica e os anestésicos também mudaram ao longo das décadas, e boa parte da fama vem de uma época em que o atendimento era outro.

Como é feito o tratamento de canal, passo a passo?

Dentro de cada dente há a polpa, um tecido vivo com nervos e vasos. Quando uma cárie profunda, uma trinca ou uma pancada chegam até ela, a polpa inflama ou infecciona. O tratamento remove esse tecido, limpa e desinfeta o interior do dente e sela o espaço. O dente continua na boca.

Um dente da frente costuma ter um canal, e um molar pode ter três ou quatro, o que muda o tempo de cadeira e a complexidade do caso.

Para que serve o isolamento absoluto?

Depois da anestesia, o dente é isolado com uma barreira de borracha presa em volta dele. Esse isolamento absoluto mantém a região limpa durante o tratamento e protege o resto da boca. Com o dente isolado, os canais são limpos, modelados e preenchidos.

O canal é feito em uma sessão ou em várias?

Depende do caso. Muitos tratamentos terminam em uma sessão. Outros são divididos em duas, com medicação dentro do canal entre as etapas, quando há infecção que pede esse tempo. O NHS descreve o tratamento, em geral, em duas ou mais consultas de 1 a 2 horas, às vezes mais.

Uma revisão Cochrane de 2022, com 47 estudos e 5.805 participantes, concluiu que não há evidência de que uma forma seja mais eficaz que a outra, e que as duas costumam vir acompanhadas de algum desconforto nos dias seguintes. A escolha é feita a partir do que a radiografia e o exame mostram.

O que acontece entre uma sessão e outra?

Quando o tratamento é dividido, uma medicação fica dentro do canal e o dente é fechado com uma restauração provisória. Nesse intervalo, vale mastigar do outro lado e evitar alimentos duros ou pegajosos naquele dente. Se a restauração provisória cair ou a dor aumentar, o consultório deve ser avisado antes da próxima sessão.

Quanto tempo dura a dor depois do tratamento de canal?

Na revisão de 2011, a dor caiu bastante já no primeiro dia e continuou caindo até níveis mínimos em uma semana. Numa escala de 0 a 100, a intensidade média foi de 54 antes do tratamento, 24 depois de um dia e 5 depois de sete dias. A queda mais forte aconteceu nos dois primeiros dias.

O NHS descreve que a região em volta do dente pode ficar inchada e dolorida, com melhora em cerca de duas semanas.

O que é normal nos primeiros dias?

Sensibilidade ao mastigar naquele dente é comum e passa. Se for preciso analgésico, o dentista orienta qual usar. Até a restauração definitiva, vale mastigar do outro lado, porque o dente ainda está frágil.

Quais sinais pedem contato antes do retorno?

O esperado é que a dor diminua um pouco a cada dia. Dor que aumenta em vez de diminuir, inchaço que cresce no rosto ou na gengiva, febre ou uma restauração provisória que caiu são motivos para chamar o consultório sem esperar a data marcada. Inchaço que dificulta engolir ou respirar é caso de pronto-socorro, como explicamos no artigo sobre dor de dente.

Por que o dente com canal precisa de restauração ou coroa?

Depois do canal, o dente precisa de uma proteção final. Sem ela, fica frágil e pode fraturar. Por isso essa etapa entra no plano desde o primeiro dia, junto com o próprio canal.

Quando basta restauração e quando entra a coroa?

Depende de quanto dente sobrou. Uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista Cureus comparou dentes tratados com canal e restaurados com resina direta ou com coroa. Dentes que perderam de uma a três faces e mantiveram as paredes laterais foram bem com resina. Dentes que perderam quatro ou cinco faces se beneficiaram da cobertura das cúspides, a parte de mastigar do dente, como faz uma coroa.

Nos acompanhamentos de cerca de 8 a 10 anos, a sobrevida foi em geral maior nos dentes com coroa, sobretudo quando a perda de estrutura era grande. Os autores registram que a certeza dessa evidência ainda é limitada, porque os estudos são poucos e diferentes entre si.

O que acontece se a proteção final demorar?

Entre o canal e a restauração definitiva, o dente fica com uma restauração provisória, que não foi feita para durar. Enquanto isso, o risco de fratura é maior. Por isso a restauração ou a coroa é marcada logo depois do canal, e o valor dela já aparece no plano.

Extrair o dente é alternativa ao tratamento de canal?

É, e às vezes é a indicação certa. O NHS diz que um dente infectado que não recebe tratamento de canal pode precisar ser extraído. A revisão de 2011 lembra que o canal permite manter por muito tempo dentes com doença da polpa que, de outra forma, provavelmente seriam extraídos.

A extração resolve a infecção e deixa um espaço, que costuma ser reposto com implante ou prótese. É outro tratamento, com outro tempo e outro custo, e ele entra na comparação. Quando o dente pode ser mantido e restaurado, o plano apresenta as duas opções lado a lado, com as etapas e os valores de cada uma, para que a decisão seja tomada com calma.

O que pesa na decisão entre tratar e extrair?

Entram na conta quanto dente sobrou para receber a restauração, se há trinca, como estão o osso e a gengiva em volta e o que o paciente prefere depois de entender as duas opções. Quando o dente não tem como ser restaurado depois do canal, o tratamento perde o sentido, e isso é dito na avaliação.

Como saber se a dor é de canal?

Alguns sinais apontam para a polpa. Dor que aparece sozinha, principalmente à noite, dor prolongada ao gelado ou ao quente, dor ao morder, inchaço na gengiva perto do dente e um dente que escureceu depois de uma pancada estão entre eles.

Nem toda dor de dente termina em canal, e parte dos casos se resolve com restauração. O que separa uma coisa da outra é o exame com radiografia, e não a intensidade da dor.

Dente que parou de doer ainda precisa de canal?

Pode precisar. O Manual MSD explica que a inflamação da polpa frequentemente leva à morte desse tecido e que, quando a polpa morre, a dor pode terminar em horas ou semanas. Depois ela volta, quando o tecido em volta da raiz inflama ou forma pus. A radiografia mostra se há lesão na raiz mesmo com o dente quieto, e é ela que decide se o canal ainda é necessário.

Como é o tratamento de canal no Instituto Marzola?

A avaliação é uma consulta de cerca de uma hora e não é cobrada. Ela começa pela conversa sobre a dor e pela radiografia, que mostra se o caso pede canal, restauração ou outro caminho. Quando o canal é indicado, o plano sai com as etapas e os valores por escrito, já incluindo a restauração ou a coroa que vem depois.

O atendimento odontológico do Instituto tem como responsável técnico o Dr. Gabriel Marzola, cirurgião-dentista com especialização em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial, CROSP 138.249. Se o dente não puder ser mantido, extração, implante e prótese são feitos no mesmo endereço, com o histórico já registrado.

O Instituto Marzola fica na Rua da Paz, 1601, na Chácara Santo Antônio, zona sul de São Paulo, e atende de segunda a sexta, das 10h às 20h. Quem está com dor pode chamar no WhatsApp e descrever o que sente.

O que levar para a avaliação?

Se houver uma radiografia recente do dente, vale levar. Também ajuda levar a lista de remédios em uso e contar sobre problemas de saúde, alergias e gestação, porque isso entra na escolha da anestesia e da medicação. Anotar quando a dor começou e o que a provoca encurta a conversa.

Glossário

Polpa
Tecido vivo com nervos e vasos que fica dentro do dente e é removido no tratamento de canal.
Endodontia
Área da odontologia que trata a polpa e as doenças em volta da raiz, incluindo o tratamento de canal.
Isolamento absoluto
Barreira de borracha presa em volta do dente para manter a região limpa durante o tratamento.
Medicação intracanal
Medicamento deixado dentro do canal entre uma sessão e outra quando há infecção.
Cobertura de cúspides
Restauração que cobre a parte de mastigar do dente, como a coroa, indicada quando sobrou pouca estrutura.

Referências

  1. NHS. Root canal treatment
  2. Pak JG, White SN. Pain Prevalence and Severity before, during, and after Root Canal Treatment: A Systematic Review. Journal of Endodontics, 2011;37:429-438
  3. Mergoni G. et al. Single versus multiple visits for endodontic treatment of permanent teeth. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2022
  4. Remaining Tooth Structure and Prognosis of Restored Endodontically Treated Teeth: A Systematic Review. Cureus, 2025;17(10):e94406
  5. Manual MSD, versão para a família. Dor de dente (Bernard J. Hennessy, revisado em março de 2026)

Quer saber se é o seu caso? A avaliação com o Dr. Gabriel não é cobrada e leva cerca de uma hora.

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Dúvidas comuns

Perguntas sobre o tema

Canal feito em uma sessão dói mais nos dias seguintes?

A revisão Cochrane de 2022 encontrou um pouco mais de pessoas relatando dor na primeira semana depois da sessão única, sem diferença no uso de analgésico nem nas crises de inchaço. A eficácia das duas formas foi equivalente.

Por que precisei de mais de uma aplicação de anestesia?

Reforçar a anestesia é comum no canal, e na revisão de 2011 a média dos estudos ficou em 60% de anestesia complementar. O tratamento só segue com o dente anestesiado.

Posso mastigar com o dente logo depois do canal?

Espere a anestesia passar para não morder a língua ou a bochecha. Até a restauração definitiva, mastigue do outro lado, porque o dente ainda está frágil.

Um dente com canal pode voltar a doer anos depois?

Pode, por exemplo se a restauração se soltar ou o dente trincar. Dor num dente já tratado pede exame com radiografia.

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